© Dalcides Biscalquin
Há muita falta de respeito pelos sentimentos alheios. Alguém conta de uma dor que está vivendo e aquele que está a ouvir já se apressa em lembrar que essa dor não é nada se comparada a dor que ele enfrenta. Quase uma disputa numa tentativa insana de mostrar quem sofre mais. Dor não se mede. Dor não se compara. Cada um sabe a dor que vive e que traz no peito. Por isso, não adianta compartilhar essa dor com aqueles que não têm sensibilidade. Há aqueles que não são bons ouvintes. Eles querem sempre falar, julgar, repreender. E não sabem silenciar.
Cada ser humano sente a sua própria dor e a sente do seu jeito e a seu modo. Digo isso, porque vejo gente que luta para demonstrar ao outro a intensidade de sua dor e nem sempre consegue. E nem sempre encontra a receptividade do outro para ouvi-lo. Há os que até dramatizam a própria dor na esperança de convencer os que estão ao lado e ganhar deles um pouco de compaixão. A sua dor não precisa de quem a reconheça ou a aprove para, enfim, tornar-se válida. Ela existe. Ela é sua. E só você sabe da força dela e dos estragos que ela pode causar. Se você não encontrar solidariedade no olhar de quem ouve, cale. Toda e qualquer palavra de sua parte não trará nenhuma modificação no modo de agir e de responder do outro. Lembre-se de Jesus no horto das oliveiras, quando se aproximava o momento de sua morte. Diz o texto bíblico que ele recorreu aos amigos mais próximos pedindo a eles que lhe fizessem companhia durante aquela noite.
Conta a história da bíblia que os amigos mais próximos dormiram e não conseguiram fazer vigília com Ele. Os amigos mais próximos deixaram o mestre sozinho enquanto esse suava sangue, corroído pela dor daquele momento. Portanto, algumas dores, alguns momentos difíceis, terão que ser enfrentados na mais profunda solidão. Alimente menos expectativas a respeito da solidariedade daqueles que estão ao seu lado. Se até Jesus provou o gosto amargo da dor vivida na solidão, por conosco deveria ser diferente? Alguns momentos da vida são mesmo assim: entre nós e Deus. E ninguém mais.
(Presente da Clarice - SP)

4 comentários:
Meu amigo ZC, essa deve ser a pior das dores... A dor do não saber se fazer ouvir. Por isso a minha dor guardei comigo por décadas... Pouquíssimos a escutaram... Seu som maior e mais dorido se fez dentro de mim. Hoje, apenas hoje, delas todas me libertei... Me sinto livre... Livre para gritar em forte e bem alto som."HOJE EU VIVO... HOJE SOU LIVRE PARA AMAR" Assassinei a minha dor dentro da alma... Ou melhor... Ela evaporou.
Um beijo enorme em teu coração... E muito eu devo a você
" Alguns momentos da vida são mesmo assim: entre nós e Deus. E ninguém mais."
Sim, somente nós podemos medir o tamanho de nossa dor.
Parabéns pelo lindo post.
beijos
Boa noite meu querido Amigo
Voltando de viagem e um pouco triste..mais tudo faz parte de nossa história não é???
As dores sim são diferentes cada um sente de uma forma..mais te conto que a maior das dores ainda é o desprezo e a solidão...
A música encanta a alma
Poeta de Marília...
A dor do Mestre nos ensina a suportar o sofrimento... de alguma forma, nos purifica.
Abraços iluminados!
Cirse
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