28 Fevereiro, 2012

MUDAR


© Edson Marques

"Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. 

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. 

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. 

Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. 

Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas. 

Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros, Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. 

Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. 

Tente o novo todo dia. o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. 

Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. 

Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. 

Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. 

Só o que está morto não muda ! Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!!!! "


(Presente da Erony - SP)



26 Fevereiro, 2012

ONDE ANDARÁ O MEU DOUTOR?


Hoje acordei sentindo uma dorzinha, aquela dor sem explicação, e uma palpitação, resolvi procurar um doutor, fui divagando pelo caminho…

Lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo…

O Meu Doutor que curava a minha dor, não apenas a do meu corpo mas a da minha alma, que me transmitia paz e calma!

Chegando à recepção do consultório, fui atendida com uma pergunta: QUAL O SEU PLANO? O MEU PLANO? 

Ah, o meu plano é viver mais e feliz! é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio e preencher esse vazio que sinto agora!

Mas a resposta teria que ser outra… o MEU PLANO DE SAÚDE…

Apresentei o documento do dito cujo já meio suada, tanto quanto o meu bolso, e aguardei…

Quando fui chamada corri apressada, ia ser atendida pelo Doutor, aquele que cura qualquer tipo de dor…

Entrei e o olhei, me surpreendi, rosto trancado, triste e cansado… será que ele estava adoentado?  É, quem sabe, talvez gripado não tinha um semblante alegre, provavelmente devido à febre…

Dei um sorriso meio de lado e um bom dia…

Sobre a mesa, à sua frente, um computador, e no seu semblante a sua dor. O que fizeram com o Doutor? Quando ouvi a sua voz de repente: O que a senhora sente?

Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo… Parecia mais doente do que eu, a paciente…

Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitação e esperei a sua reação. Vai me examinar, escutar a minha voz auscultar o meu coração…

Para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse: peça autorização desses exames para conseguir a realização…

Quando li quase morri… TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA, RESSONÂNCIA MAGNÉTICA e CINTILOGRAFIA!?

Ai, meu Deus! que agonia! Eu só conhecia uma tal de abreugrafia… Só sabia que ressonar era (dormir), De magnético eu conhecia um olhar… E cintilar só o das estrelas!

Estaria eu à beira da morte? de ir para o céu? Iria morrer assim ao léu?

Naquele instante timidamente pensei em falar: Terá o senhor uma amostra grátis de calor humano para aquecer esse meu frio?

Que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor, o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.

Olhe para mim…

Bem verdade que o juramento dele está ultrapassado! médico não é sacerdote… Tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano… Mas, por favor, me olhe, ouça a minha história! Preciso que o senhor me escute, ausculte e examine!

Estou sentindo falta de dizer até aquele 33! Não me abandone assim de uma vez! Procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!

Alimente a minha mente e o meu coração… Me dê, ao menos, uma explicação! O senhor não se informou se eu ando descalça… ando sim! gosto de pisar na areia e seguir em frente deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida, estarei errada? Ou estarei com o verme do amarelão? Existirá umas gotinhas de solução?Será que já existe vacina contra o tédio? Ou não terá remédio?

Que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor! Cadê o Sccoth, aquele da Emulsão? Que tinha um gosto horrível mas me deixava forte que nem um Sansão!

E o Elixir? Paregórico e categórico, E o chazinho de cidreira, que me deixava a sorrir sem tonteiras? Será que pensei asneiras?

Ah! meu querido e adoentado Doutor!

Sinto saudades dos seus ouvidos para me escutar, das suas mãos para me examinar, do seu olhar compreensivo e amigo… do seu pensar…

O seu sorriso que aliviava a minha dor…Que me dava forças para lutar contra a doença… e que estimulava a minha saúde e a minha crença…

Sairei daqui para um ataúde?

Preciso viver e ter saúde!

Por favor, me ajude!

Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim, caso contrário chegaremos ao fim…

Porque da consulta só restou uma requisição digitada em um computador e o olhar vago e cansado do Doutor!

Precisamos urgente dos nossos médicos amigos, a medicina agoniza… ouço até os seus gemidos…

Por favor, tragam de volta o meu Doutor!

Estamos todos doentes e sentindo dor…

E peço, para o ser humano, uma receita de calor, e para o exercício da medicina….. uma prescrição de amor!

© Tatiana Bruscky é médica e mora em Recife (PE) tbruscky@yahoo.com.br

(Presente de Dª Hilda Persiani)



24 Fevereiro, 2012

CHUVA


Lentamente o brilho do sol foi deixando a tarde,
e a procissão de nuvens escuras atravessou o céu,
bem diante dos meus olhos tristes ...    
Acompanhei os últimos vestígios dourados do horizonte,
enquanto riscos de prata surgiam silenciosos, à distância.
O dia vestia-se de cinzas, assim como eu, 
traduzindo sonhos grisalhos, esperanças descoloridas,
alegrias que jamais coloriram a realidade...
Uma rajada gelada antecipou-se à chuva que,
finalmente, desabou em pingos grossos sobre a rua,
lavando as calçadas, batendo nas vidraças, 
encharcando meus olhos, meus cabelos, minha alma ...
Quisera que levasse de mim essa vontade
de voltar no tempo e resgatar antigas alegrias .
A fúria dos trovões assemelha-se a dor inconformada
dos que pretenderam o inatingível,
dos que ainda se debatem na tentativa inútil de
novas possibilidades ...
Chove...
As pessoas passam apressadas,
desprotegidas, surpreendidas,
tal qual me sinto diante do tempo
que roubou da cena meus melhores momentos ...
e depois,  quando me dou por vencida,
tenta reacender os sonhos impossíveis,
porque as ilusões não moram mais em mim.

**Melliss**



22 Fevereiro, 2012

DOR NÃO SE MEDE


© Dalcides Biscalquin

Há muita falta de respeito pelos sentimentos alheios. Alguém conta de uma dor que está vivendo e aquele que está a ouvir já se apressa em lembrar que essa dor não é nada se comparada a dor que ele enfrenta. Quase uma disputa numa tentativa insana de mostrar quem sofre mais. Dor não se mede. Dor não se compara. Cada um sabe a dor que vive e que traz no peito. Por isso, não adianta compartilhar essa dor com aqueles que não têm sensibilidade. Há aqueles que não são bons ouvintes. Eles querem sempre falar, julgar, repreender. E não sabem silenciar.

Cada ser humano sente a sua própria dor e a sente do seu jeito e a seu modo. Digo isso, porque vejo gente que luta para demonstrar ao outro a intensidade de sua dor e nem sempre consegue. E nem sempre encontra a receptividade do outro para ouvi-lo. Há os que até dramatizam a própria dor na esperança de convencer os que estão ao lado e ganhar deles um pouco de compaixão. A sua dor não precisa de quem a reconheça ou a aprove para, enfim, tornar-se válida. Ela existe. Ela é sua. E só você sabe da força dela e dos estragos que ela pode causar. Se você não encontrar solidariedade no olhar de quem ouve, cale. Toda e qualquer palavra de sua parte não trará nenhuma modificação no modo de agir e de responder do outro. Lembre-se de Jesus no horto das oliveiras, quando se aproximava o momento de sua morte. Diz o texto bíblico que ele recorreu aos amigos mais próximos pedindo a eles que lhe fizessem companhia durante aquela noite.

Conta a história da bíblia que os amigos mais próximos dormiram e não conseguiram fazer vigília com Ele. Os amigos mais próximos deixaram o mestre sozinho enquanto esse suava sangue, corroído pela dor daquele momento. Portanto, algumas dores, alguns momentos difíceis, terão que ser enfrentados na mais profunda solidão. Alimente menos expectativas a respeito da solidariedade daqueles que estão ao seu lado. Se até Jesus provou o gosto amargo da dor vivida na solidão, por conosco deveria ser diferente? Alguns momentos da vida são mesmo assim: entre nós e Deus. E ninguém mais.

(Presente da Clarice - SP)


19 Fevereiro, 2012

UMA MULHER BONITA


O meu amigo é um fotógrafo famoso. Pediu que eu ficasse um pouco, até que ele escolhesse uma das fotos das modelos para um calendário. Olhei as fotografias, começando pelas descartadas, e parei numa que me encantou. 
— Escolho essa, – eu disse sem que me perguntasse. 
Ele riu. 
— É a nossa faxineira, - disse. – Estava só fazendo experiências com uns jogos de luz e a usei como cobaia. Você pode entender de poesia, amigo, mas não de foto e de beleza, - brincou. 
— Você pode entender de jogo de luz, e de foto, mas eu conheço o que é belo, até pelo cheiro, - eu disse. 
— Que há de belo nessa foto? – ele perguntou. 
— Na foto não sei. Mas a mulher é a mais bonita de todas... 
Ele pegou novamente a foto, aproximou dos olhos, afastou, chegou perto da luz, e dessa vez não riu, porque percebeu que eu falava sério. Olhou-me mais uma vez, e voltou os olhos para a foto sem graça, porque me conhece, e sabe que não brinco com o que é sério. Já havíamos conversado sobre a beleza, e ele sabe que não brinco com ela. Desligou os refletores, empurrou as outras fotos, e chegou mais perto da que indiquei, depois afastou-se sempre contemplando com interesse. Nisso a faxineira apareceu na porta, e perguntou se poderia ir embora, já que terminara o serviço. Ele disse que esperasse um minutinho, que precisava falar com ela sobre um outro trabalho que tinha. Ela olhou-me de relance, e saiu. 
— A sua beldade é essa aí, – ele disse meio zombando. 
— E afirma a minha posição. É mais bela que na foto. 
— Eu te conheço, e sei que é um belo poeta... E justamente porque é louco varrido, é que é poeta dos bons. Eu gosto muito do que faz, embora não tenha tempo de ler os teus devaneios, e acho que deveria se ocupar de coisa mais útil e rentável... Diga agora, o que é que há de bonito nessa mulher?!... 
— Tudo, - eu respondi. 
— Por exemplo?... 
— Tudo. Amigo, não seja cego. Ela é mais bonita que todas as outras que você fotografou, e ainda pagou por isso. Você ignora a moça, justamente porque a sua beleza está escondida do padrão... Parece um poema bem feito. A beleza dela é dupla. Digamos que uma evidência e um mistério ao mesmo tempo. A evidência é obvia demais para falar dela. Mas o mistério, só pode ser percebido por quem tenha um pouco de sensibilidade, e creio que você tem, e é por isso que é o profissional que é. 
Ele olhou novamente a foto. Demorou-se um pouco mais nisso. 
— O quê mais? – ele perguntou. 
— Amigo, a verdadeira beleza não pode ser descrita em palavras. Ela quando contemplada, faz com que o espírito se eleve de tal maneira que tudo o mais fica feio, se comparado. Essa mulher não pode ser comparada com ninguém que eu conheça. A beleza amigo, é o que vem da alma. A alma é que modela o coração. O coração é que modela o corpo. O corpo é que modela as vestes, os sapatos, as jóias, e tudo o mais que existe... Começa com a alma...
— Quanto à alma, você tem toda a razão, mas... 
Ele levantou mais uma vez a foto, impressionado com o que eu dizia. Vi um gesto muito tênue de aprovação em seu rosto. 
Quando eu ia sair, pediu que dissesse para a moça que ele estava chamando-a. Passei por perto dela, e dei o recado. E antes de sair, brinquei com as palavras do ladrão da cruz: 
— "Lembra-te de mim quando entrares no teu reino". 
— Quê?... 
— Você vai ser promovida!... 
Ela arregalou os olhos. Eu tinha fama de profeta. Deve ter pensado que eu brincava que iria morrer. 
Pouco mais de uma semana depois, a vi na capa da primeira revista. Um mês depois, já eram muitas as capas. Depois a vi na televisão... 

Um dia eu estava sem dinheiro, e fui ver se o meu amigo tinha algum pra me emprestar, e a encontrei saindo do escritório dele, e entrando em um carro caro. Não me reconheceu, ou fez que não. Eu tinha certeza que era ela. Parecia-se um pouco com a mulher que eu conhecera na foto, mas não era mais bonita como aquela, embora todos em todos os lugares no mundo dissessem o contrário. 

O meu amigo recebeu-me com entusiasmo. 
— Viu a nossa rainha saindo?!... Lembra quando a descobrimos?... 
Balancei a cabeça que sim. 
— Um espetáculo, não? E pensar que eu estava com esse tesouro aqui perto, e não sabia... Não está linda!... – disse olhando a enorme foto da modelo na parede. 
Eu ri sem graça. Se insistisse, eu teria dito que a moça estava com uma pequena distorção na alma. Mas ele mudou de assunto: 
— Cara, estava tentando encontrar você!... Queria que olhasse umas fotos que eu tenho. Estou precisando encontrar uma mulher bonita, e sei que você tem muita sensibilidade para isso... 
Olhei as fotos que me entregou, e não encontrei nenhuma que me agradasse. Ele insistia mostrando mais e mais. Meu coração foi ficando cada vez mais triste, e tive que me despedir sem mesmo encontrar uma que sobressaísse. 
E até me esqueci do dinheiro que fui tomar emprestado... 

® Adelmario Sampaio



16 Fevereiro, 2012

CONSTRUÇÃO


– O que tu fazes?

– Sou poeta!

– Sim, mas o que tu fazes de concreto, palpável?

– Construo sentimentos, sonhos, ilusões.

– E tu, o que fazes?

– Construo casas, pontes, estradas. Coisas que são úteis às pessoas.

– Sentimentos, sonhos, ilusões também são úteis às pessoas.

– Para atravessares um rio, vais precisar de uma ponte. Eu construo pontes!

– Para te imaginares do outro lado do rio, vais precisar de um sonho. Eu construo sonhos!

– Mas a ponte concreta vai conduzir as pessoas de um ponto a outro.

– O sonho também!

– Mas eu gasto minha energia e meu suor para construí-la.

– Eu também!

– Eu uso matérias-primas... areia, cimento, água.

– Eu uso sentimentos, imagens, ideias.

– Eu uso ferramentas... enxada, pá, colher.

– Eu uso palavras!

– Eu me sinto realizado e feliz quando alguém atravessa a ponte que construí.

– Eu também me sinto realizado e feliz quando alguém lê o sonho que construí.

(do livro "Bebeu o mundo...) - EMPÓRIO DA POESIA

(Presente de AFreitas-RS)


13 Fevereiro, 2012

RYAN HRELJAC - O MENINO QUE SACIOU A SEDE ...


**Ryan nasceu no Canadá em maio de 1991, ou seja, hoje (2012) tem 21 anos. 

Quando pequeno, na escola, com apenas seis anos, sua professora lhes falou sobre como viviam as crianças na África. 

Profundamente comovido ao saber que algumas até morrem de sede, que não há poços de onde tirar água, e pensar que a ele bastavam alguns passos para que a água saísse da torneira durante horas...

Ryan perguntou quanto custaria para levar água a eles. A professora pensou um pouco, e se lembrou de uma organização chamada WaterCan, dedicada ao tema, e lhe disse que um pequeno poço poderia custar cerca de 70 dólares. 

Quando chegou em casa, foi direto a sua mãe Susan e lhe disse que necessitava de 70 dólares para comprar um poço para as crianças africanas. 

Sua mãe disse-lhe que ele deveria consegui-los e foi-lhe dando tarefas em casa com as quais Ryan ganhava alguns dólares por semana.

Finalmente reuniu os 70 dólares e pediu à sua mãe que o acompanhasse à sede da WaterCan para comprar seu poço para os meninos da África. Quando o atenderam, disseram-lhe que o custo real da perfuração de um poço era de 2.000 dólares. 

Susan deixou claro que ela não poderia lhe dar 2.000 dólares por mais que limpasse cristais durante toda a vida, porém Ryan não se rendeu. Prometeu aquele homem que voltaria…e o fez.

Contagiados por seu entusiasmo, todos puseram-se a trabalhar: seus irmãos, vizinhos e amigos. Entre todo o bairro conseguiram reunir 2.000 dólares trabalhando e fazendo mandados e Ryan voltou triunfante a WaterCan para pedir seu poço. 

Em janeiro de 1999 foi perfurado um poço em uma vila ao norte de Uganda. A partir daí começa a lenda. Ryan não parou de arrecadar fundos e de viajar por meio mundo buscando apoios. 

Quando o poço de Angola estava pronto, o colégio começou uma correspondência com as crianças do colégio que ficava ao lado do poço, na África. 

Assim, Ryan conheceu Akana: um jovem que havia escapado das garras dos exércitos de meninos e que lutava para estudar a cada dia. Ryan sentiu-se cativado por seu novo amigo e pediu a seus pais para ir vê-lo. 

Com um grande esforço econômico de sua parte, os pais pagaram sua viagem a Uganda e Ryan, em 2000, chegou ao povoado onde havia sido perfurado seu poço. Centenas de meninos dos arredores formavam um corredor e gritavam seu nome.

- Sabem meu nome? - Ryan perguntou a seu guia.
- Todo mundo que vive 100 quilômetros ao redor sabe - ele respondeu.

Hoje em dia, Ryan – com 21 anos - tem sua própria fundação e conseguiu levar mais de 400 poços à África. Encarrega-se também de proporcionar educação e de ensinar aos nativos a cuidar dos poços e da água. Recolhe doações de todo o mundo e estuda para ser engenheiro hidráulico. Ryan tem-se empenhado em acabar com a sede na África.

Saiba mais em: http://www.ryanswell.ca/ 

(Presente de A.Freitas)



10 Fevereiro, 2012

A ARTE DA SIMPATIA


Vamos tentar definir o que á simpatia.

Inicialmente, devemos responder a uma pergunta simples: como se define simpatia?. É muito simples. Simpatia é aquele algo mais que nem todas as pessoas possuem, e que faz chamar a atenção de outras pessoas sobre si. Digamos que é algo como se fosse uma aura que ostentam, que serve como fonte de atração.

Por exemplo, quando estão numa reunião, numa festa, parece que atraem as atenções gerais. Isso independe do fato de serem ou não atraentes fisicamente. Quando se juntam as duas qualidades, ou seja a beleza física e a simpatia, é covardia. Conseguem tudo o que querem. Dificilmente alguém resiste a seu charme.

O interessante é que por vezes essas pessoas muito simpáticas, despertam sentimentos conflitantes. Muita gente resiste à simpatia de uma maneira por vezes até agressiva, com um comentário do tipo: Quem ele (ou ela) pensa que é ? O rei (ou rainha) da cocada preta? Esse tipo de comentário às vezes demonstra uma certa inveja, uma certa mágoa de quem gostaria de estar no centro das atenções, mas não tem o mesmo carisma, e fica relegado a uma posição secundária. E isso as magoa, e muitas vezes não suportam tal situação. Não se amofinem. É tudo uma questão de natureza, que se é mãe para uns, é madrasta para outros.

Contudo, uma coisa é certa. Toda e qualquer pessoa tem sua fonte de simpatia, de atração. O importante é procurar desenvolver essa qualidade. É saber descobri-la.

Assim, ao invés de procurar os pontos negativos dos outros, e melhor é procurar os seus pontos positivos, e explorá-los. O benefício será muito maior.

A simpatia é um sentimento que nasce à primeira vista. Sentimo-lo tão logo vemos essa pessoa, ou mesmo, virtualmente falando, quando lemos alguma mensagem. Vocês já pararam para pensar nisso? Por que será que ao lermos alguma mensagem, alguma poesia, algum escrito, de imediato catalogamos a pessoa como simpática, antipática ou indiferente? O interessante é que esse sentimento acaba perdurando. Geralmente a primeira impressão é que conta. Por vezes escrevemos a mesma coisa para duas pessoas, e cada uma a lê de uma maneira diferente, reagindo, uma favoravelmente, e a outra não. Claro, nunca poderá existir unanimidade. E se é verdade que não se pode "subir nas nuvens" por alguns comentários elogiosos, também não se pode cair em depressão por algumas críticas desfavoráveis. Há que se fazer uma média entre ambos, para ver o que prevalece.

Realmente a natureza humana é caprichosa, o que torna a simpatia um sentimento por demais ambíguo. O porque de simpatizarmos ou antipatizarmos com alguém é um mistério. E é exatamente aí que reside a beleza desse sentimento.

Agora, definindo tudo: As pessoas simpáticas são aquelas que conseguem atrair a simpatia da maioria das pessoas. Forçosamente não pode ser simpática a todos, pois, como sempre gosto de frisar, a unanimidade é burra...

Bem, crianças, simpaticamente ordeno a todos os amigos, sem exceção, que tenham UM LINDO FINAL DE SEMANA.

A jovem senhora, meio deslocada na festa, estava morrendo de sede. Ao seu lado um grupo de senhoras conversava sobre anticoncepcionais. Uma delas, dirigindo-se a ela perguntou: E a senhora, o que toma? Distraída, nossa heroina respondeu: Tomo sim, um copo d'água...

**Marcial Armando Salaverry




07 Fevereiro, 2012

Prazeres da "melhor idade"


© RUY CASTRO

RIO DE JANEIRO - A voz em Congonhas anunciou: "Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.". Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a "melhor idade" - algo entre os 60 anos e a morte.

Para os que ainda não chegaram a ela, "melhor idade" é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.

Privilégios da "melhor idade" são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da "melhor idade", estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.

Outra característica da "melhor idade" é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.

Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: "Voltando da farra, Ruy?". Respondi, eufórico: "Que nada! Estou voltando da farmácia!". E esta, de fato, é uma grande vantagem da "melhor idade": você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir.

(Se eu encontrasse o canalha hipócrita que inventou essa maldita expressão, juro que lhe passava metade do meu reumatismo! Na boa!)

(Presente da Rosa Terezinha Silva)


06 Fevereiro, 2012

MUDAR DE CASA


Chega um tempo na vida da gente que sentimos a necessidade de mudar, seja de casa ou de nós mesmos.

Largar coisas muito enraizadas e profundas, mas que já não servem mais. Então surge a idéia de olhar casas novas, em todos os sentidos! Quem sabe algumas em ruas estreitas que precisamos percorrer, ou outras que fiquem em ladeiras bem íngremes, para desenvolver a nossa força. Ou quem sabe simplificar, resgatar o velho e criar um novo lugar!

Ou talvez procurar uma nova casa, que tenha muita água por perto, para amolecer a nossa argila, que são as nossas crenças…

Muitas vezes não é necessário trocar de casa, mas olhar com outros olhos para dentro dela. Quem sabe, olhando melhor, possamos visualizar um rio com águas transparentes, que tem a capacidade de levar embora as preocupações que não precisamos mais! Ou ainda que reflitam o nosso interior!

E se ainda pudermos ir para perto do mar, que maravilha! Quantos ensinamentos ele tem para nos dar, basta se aquietar e observar! Lugares que tenham água por perto, ajudam a amolecer a terra seca, que são iguais a nossa dureza, rigidez e incompreensão. Olhar através de arcos, resulta em enxergar aquilo que realmente precisamos ver!

Começamos a entender que a casa é a nossa morada, somos responsáveis por ela. Podemos dar  cor ou não, mas o colorido exige mais cuidado.

Observar se não estamos construindo muros muito fechados em volta da nossa casa. Muros separam, pontes ligam, aproximam. Através das pontes podemos ver o outro lado. Conhecer o outro lado muda a nossa percepção, nos transforma. Começamos a ter uma nova visão! E com a nova visão, fica mais fácil pensar na nova construção ou reforma!

Precisamos nos aproximar mais das pessoas? Por acaso nos isolamos demais? Ou precisamos nos aquietar mais? Quem sabe um lugar mais alegre? Ou precisamos caminhar silenciosamente por ruas desconhecidas?

Olhar para nossa casa requer coragem e força… É enxergar o que precisa ser mudado ou desapegar do velho! É olhar fundo. E quando o desapego acontece, ele nos leva em situações caóticas, mais valiosas! Neste momento surge uma confusão de cores e caminhos! É a reforma. Muitas vezes surgem o frio e o escuro, mas como tudo passa, sempre vem o novo dia para clarear!

Toda reforma ou mudança traz “caos”! Mas precisamos lembrar que vale a pena, o resultado chega! Se a angústia bate à porta é hora de abrir e atender! Ela vem avisar que alguma coisa precisa mudar!

Quem sabe uma pausa para refletir sobre tudo isso!
Olhar para o rio e perceber que ele corre sozinho e  tem seu tempo. Faz seu curso e segue livre, a cada lugar que o rio passa, ele vê novas paisagens, e nós queremos nos fixar! Permanecer!

É hora de recomeçar, mudar de casa ou reformar! Assumir responsabilidades, ser dono delas! 

Com certeza não é fácil, mas vale a pena…

(Desconheço o autor - se souber me avise por favor)

(Presente da Erony - SP)



04 Fevereiro, 2012

DE HOJE EM DIANTE


Sei que deixo, por onde passo,
partes de mim, um pedaço,
energias e sentimentos que respiro,
e por vezes, eu nem cuido, deixo estar.
No trânsito eu me perco em histeria,
nos relacionamentos sou doce, mas possessivo,
nas amizades sinceras, sou exigente,
quero sempre o melhor, e por vezes, exagero.

Sou todo o sentimento do mundo,
na pele, no rosto e em cada poro,
exalo a energia de quem quer vencer.
Mesmo assim, quando a noite cai,
um vazio se apodera de mim,
a solidão senta-se ao meu lado na cama,
e ainda que acompanhado,
ela segura na minha mão como amante cansada,
e faz vigília comigo, nas noites insones.

Quem sabe o vazio monstruoso,
seja resultado do não desligar,
do querer sempre agradar,
deixando de ser eu mesmo,
para ser o que esperam de mim.
Por isso resolvi, da solidão me separar,
e hoje, ainda com olheiras,
sai mais cedo para caminhar,
vou recomeçar, vou deixar me guiar,
pelo companheiro mais importante que Deus me deu,
de hoje em diante, meu melhor amigo, sou eu.
Eu acredito em você

© Paulo Roberto Gaefke




01 Fevereiro, 2012

APROVEITE E APRENDA !!!


Poupe um pouco para sempre ser independente financeiramente.
Não precisa ser muito, não comprometa o prazer que o dinheiro pode lhe dar em razão de um tempo maior de velhice, que pode até não acontecer, se você morrer breve. 

Além disso, um idoso não consome muito além do plano de saúde e dos remédios. Provavelmente, você já tem tudo e mais coisas só lhe darão trabalho.

Pare também de se preocupar com a situação financeira de filhos e netos, não se sinta culpado em gastar consigo mesmo o que é seu de direito. 

Provavelmente, você já lhes ofereceu o que foi possível na infância e juventude, assim como uma boa educação. 

Portanto, a responsabilidade agora é deles. 

Não seja arrimo de família, seja um pouco egoísta, mas não usurário. 

Tenha uma vida saudável, sem grandes esforços físicos. Faça ginástica moderada, alimente-se bem, mas sem exagero. 

Tenha a sua própria condução, até quando não houver perigo.

Nada de estresse por pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam os bons momentos que devem ser curtidos, sejam os ruins que devem ser rapidamente esquecidos. 

Namore sempre, independente da idade, com sua "velha" companheira de caminhada. O amor verdadeiro rejuvenesce. 

Esteja sempre limpo, um banho diário pelo menos, seja vaidoso, frequente barbeiro, pedicure, manicure, dermatologista, dentista, use perfumes e cremes com moderação e por que não uma plástica? 

Já que você não é mais bonito, seja pelo menos bem cuidado. Nada de ser muito moderno, tente ser eterno. Leia livros e jornais, ouça rádio, veja bons programas na TV, acesse a internet, mande  e responda e-mails, ligue para os amigos.  Mantenha-se sempre atualizado sobre tudo.

Respeite a opinião dos jovens, eles podem até estar errados, mas devem ser respeitados. 

Não use jamais a expressão "no meu tempo", pois o seu tempo é hoje.

Seja o dono da sua casa por mais simples que ela possa ser, pelo menos lá você é quem manda. Não caia na besteira de morar com filhos, netos, ou seja lá o que for. 

Não seja hóspede, só tome esta decisão quando não der mais e o fim estiver bem próximo. 

Um bom asilo também não deve ser descartado e pode até ser bem divertido, e você irá conviver com a turma da sua geração e não dará trabalho a ninguém. 

Cultive um "hobby", seja caminhar, cozinhar, pescar, dançar, criar gato, cachorro, cuidar de plantas, jogar baralho, golfe, velejar ou colecionar algo. 

Faça o que gosta e os seus recursos permitam. 

Viaje sempre que possível, de preferência, vá de excursão, pois além de mais acessível, pode ser financiada e é uma ótima oportunidade para se conhecer novas pessoas. 

Aceite todos os convites de batizado, formatura, casamento, missa de sétimo dia, o importante é sair de casa. 

Fale pouco e ouça mais, a sua vida e o seu passado só interessam a você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja sucinto e procure falar coisas boas e engraçadas.  Jamais se lamente de algo. 

Fale baixo, seja gentil e educado, não critique nada, aceite a  situação como ela é. As dores e as doenças estarão sempre presentes; não as torne mais problemáticas do que são falando sobre elas. Tente sublimá-las, afinal, elas afetam somente a você e são problemas seus e dos seus médicos. 

Não fique se apegando em religião, depois de velho, rezando e implorando o tempo todo como um  fanático. O bom é que, em breve, seus pedidos poderão ser feitos pessoalmente a ele. 

Ria, ria muito, ria de tudo, você é um felizardo, você teve uma vida, uma vida longa, e a morte será somente uma nova etapa incerta, assim como foi incerta toda a sua vida. 

Se alguém disser que você nunca fez nada de importante, não ligue.. O mais importante já foi feito: Você.

E não esqueça: A vida é um presente. 

© Cecilia Moreno